
Como saber se sua empresa está lucrando de verdade (e não só faturando)
Por Drielli Caroline Viegas Lima
É um dos sintomas mais comuns que vemos em consultoria: a empresa fatura bem, o pedido não para de entrar, e mesmo assim o dinheiro nunca sobra no fim do mês. Se isso soa familiar, o problema quase nunca é vender pouco — é não saber, com precisão, quanto sobra de cada venda depois que todos os custos são descontados.
Faturamento não é a mesma coisa que lucro
Faturamento é tudo que entra. Lucro é o que sobra depois de pagar fornecedor, imposto, folha, comissão, aluguel e todo o resto. Duas empresas podem faturar o mesmo valor num mês e uma terminar no azul enquanto a outra fecha no vermelho — a diferença está inteira na estrutura de custo, não na venda.
3 checagens pra fazer ainda esta semana
- •Separe custo fixo de custo variável. Se você não sabe de cabeça quanto custa manter a empresa de portas fechadas (sem vender nada), esse é o primeiro número a descobrir.
- •Calcule a margem de contribuição do seu principal produto ou serviço — preço de venda menos os custos que só existem porque aquela venda aconteceu (matéria-prima, comissão, imposto sobre a venda). É esse número, não o preço de venda, que paga o custo fixo.
- •Compare o resultado do regime de Caixa com o de Competência no mesmo mês. Se a diferença for grande, você está confundindo 'ter dinheiro na conta agora' com 'ter lucrado' — são coisas diferentes quando existe parcelamento, inadimplência ou conta a pagar futura.
Por que isso é mais comum do que parece
Na prática, a maioria das pequenas e médias empresas não tem um DRE atualizado mensalmente — o controle financeiro vive em planilha solta, extrato bancário e memória de quem toca o negócio. Isso funciona até a empresa crescer; a partir de um certo tamanho, decisão de preço, contratação e investimento passam a ser feitas no escuro, e o resultado só aparece (ou não aparece) no fim do ano, quando já não dá mais pra corrigir a rota.
Se as 3 checagens acima já revelaram que você não tem essas respostas na ponta da língua, esse é o ponto de partida real — não é sobre vender mais, é sobre enxergar o que já está acontecendo dentro do negócio.
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